Carnaval 2026

Noite de espetáculo: veja como foram os desfiles do Grupo Especial paulistano

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A primeira noite de desfiles do Grupo Especial no Sambódromo do Anhembi foi marcada por enredos de forte cunho social, protagonismo feminino e grandiosidade estética. As escolas percorreram os 530 metros da passarela do samba em uma jornada que uniu tradição, política, ancestralidade e espetáculo visual.

A Mocidade Unida da Mooca abriu a noite com o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin”, desenvolvido pelo carnavalesco Renan Ribeiro e pela enredista Thayssa Menezes. A proposta exaltou a força da mulher negra e sua resistência histórica, sintetizada nos versos do samba-enredo: “Quero ver, Casa-Grande vai tremer / No meu Quilombo é noite de Xirê!”. Alegorias e fantasias apresentaram mulheres como guerreiras e divindades, reverenciando nomes como Marielle Franco e Sueli Carneiro. A escola contou ainda com a presença da deputada federal Erika Hilton, que voltou a desfilar com o adorno trazendo a palavra “presidenta”.

Foto:Liga-SP

Na sequência, a Colorado do Brás apresentou “A Bruxa está solta,  Senhoras do Saber renascem na Colorado”. O desfile apostou no imaginário popular, reunindo personagens que atravessam gerações, como a Cuca, do Sítio do Picapau Amarelo, além de referências a O Mágico de Oz. Corujas, caldeirões e curandeiras indígenas dividiram a avenida em um cortejo lúdico e simbólico. A atriz Fabi Bang, conhecida por interpretar Glinda na versão brasileira do musical Wicked, marcou presença no desfile.

Foto:Liga-SP

A terceira escola da madrugada, Dragões da Real, levou à avenida o enredo “Guerreiras Icamiabas – Uma lendária história de força e resistência”, inspirado nas mulheres guerreiras que, segundo a lenda, viviam às margens do Rio Amazonas. O desfile foi marcado por alegorias imponentes, com a presença de dragões, indígenas, colonizadores e animais selvagens. A cantora Lexa estreou no carnaval paulistano acompanhando o abre-alas de 12 metros, que trouxe um dragão articulado como elemento central da narrativa.

Foto:Liga-SP

Vice-campeã de 2025, a Acadêmicos do Tatuapé apresentou “Plantar para colher e alimentar. Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra”, enredo que discutiu desigualdade agrária, ganância e resistência. Com estética marcada por girassóis gigantes e cores vibrantes, a escola trouxe o homem do campo como protagonista e reforçou o debate social ao som de um samba de forte apelo crítico.

Foto:Liga-SP

Já a atual campeã, Rosas de Ouro, desfilou com “Escrito nas Estrelas”, explorando a criação do universo e as estrelas como guias da humanidade. A escola enfrentou atraso devido a um vazamento de óleo na pista, iniciando sua apresentação por volta das 4h30. Com paleta dominada por branco, dourado, azul e tons de rosa e roxo, apresentou uma alegoria de abertura com 40 metros de comprimento e 15 de largura, representando constelações. A astróloga Márcia Sensitiva fez sua estreia no carnaval de São Paulo.

Foto:Liga-SP

Penúltima a desfilar, a tradicional Vai-Vai apresentou “A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”. O enredo destacou a história operária de São Bernardo do Campo, além de referências à imprensa e ao cinema, como a Companhia Cinematográfica Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Com alegorias robustas e fantasias ricas em detalhes, incluindo operários com macacões brilhantes e capacetes adornados a escola manteve a força de sua tradição/ na avenida.

Foto:Liga-SP

Encerrando a noite, a Barroca Zona Sul homenageou Oxum com o enredo “Oro Mi Maió Oxum”. Em uma apresentação marcada por bolhas de sabão, espelhos e referências às religiões de matriz africana, a escola exaltou a orixá das águas doces, do amor e da beleza. Apesar dos atrasos acumulados ao longo da madrugada, a agremiação conseguiu manter o público animado até o amanhecer. O desfile terminou sob um céu que ameaçou chuva, mas permaneceu firme, sem que uma gota caísse sobre a avenida.

Foto:Liga-SP

O segundo dia de desfiles do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo levou ao Sambódromo do Anhembi uma sucessão de enredos que transitaram entre memória histórica, homenagens artísticas, espiritualidade e críticas sociais, reafirmando a pluralidade temática das escolas paulistanas.

Abrindo a noite, a Império de Casa Verde apresentou o enredo “Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras”. A agremiação mergulhou na trajetória das escravas de ganho da Salvador do século XVIII, mulheres que, por meio do trabalho, conquistaram autonomia e liberdade. Os balangandãs, joias usadas como amuletos,  foram ressignificados como símbolos de resistência, fé e poder feminino negro, conduzindo a narrativa estética e histórica do desfile.

Foto: Liga-SP

Na sequência, a Águia de Ouro cruzou fronteiras e levou o público a uma viagem pela capital dos Países Baixos com “Mokum Amsterdã – O Voo da Águia à Cidade Libertária”. A escola construiu um panorama cultural e histórico de Amsterdã, destacando sua identidade plural e seu histórico de trocas culturais. Entre as referências apresentadas, surgiram os girassóis de Vincent van Gogh, exaltando a força da arte holandesa, além de uma alegoria dedicada a Anne Frank, evocando memória e resistência em meio aos horrores da Segunda Guerra Mundial.

Foto: Liga-SP

A Mocidade Alegre emocionou o público com “Malunga Léa, Rapsódia de uma Deusa Negra”, tributo à atriz Léa Garcia. O desfile celebrou a trajetória da artista, símbolo de afirmação da identidade negra nas artes cênicas. Alas e alegorias revisitaram momentos marcantes de sua carreira, desde o Teatro Experimental do Negro até seus papéis consagrados no cinema e na televisão, compondo uma narrativa de resistência e protagonismo.

Foto: Liga-SP

Com forte teor crítico, a Gaviões da Fiel apresentou “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, enredo que destacou a luta e o legado dos povos indígenas. A escola trouxe para a avenida reflexões sobre a preservação ambiental e denunciou, em imagens impactantes, os efeitos da exploração econômica sobre territórios originários. Em uma das alegorias mais emblemáticas, figuras representando gado empunhavam serras elétricas, enquanto indígenas surgiam sob as estruturas, em uma cena que simbolizava a dor provocada pela devastação.

Foto: Liga-SP

Estrela do Terceiro Milênio apostou na força da palavra com “Hoje a poesia vem ao nosso encontro: Paulo César Pinheiro, uma viagem pela vida e obra do poeta das canções”. A homenagem ao compositor Paulo César Pinheiro destacou sua contribuição à música brasileira. Personalidades marcantes também foram reverenciadas: Dona Ivone Lara foi lembrada na ala das baianas, enquanto Clara Nunes apareceu no alto de uma alegoria, acompanhada por Nossa Senhora Aparecida e por orixás como Ogum e Iansã, reforçando o sincretismo e a espiritualidade presentes em sua obra.

Foto: Liga-SP

A Tom Maior levou à avenida “Chico Xavier. Nas entrelinhas da alma, as raízes do céu em Uberaba”, exaltando a trajetória do médium Chico Xavier. O desfile combinou elementos biográficos e espiritualidade, com alegorias de grande porte e efeitos visuais marcantes. O carro abre-alas chamou atenção pelo impacto cenográfico, trazendo a figura de um xamã envolta em jogos de espelhos que potencializavam a experiência visual.

Foto: Liga-SP

Encerrando a madrugada e a fase de apresentações do Grupo Especial, a Camisa Verde e Branco desfilou com o enredo “Abre caminhos”, inspirado na figura de Exu. A escola ressaltou os significados de proteção, movimento e transformação associados ao orixá nas tradições de matriz africana, fechando a noite com uma celebração de fé e ancestralidade.

Foto: Liga-SP

A definição da campeã do Carnaval paulistano ocorrerá na terça-feira, a partir das 16h, quando será realizada a apuração das notas que consagrará a nova vencedora do Grupo Especial.

Samba na Pista
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