Na noite desta quinta-feira (29), a escola de samba Mocidade Alegre emocionou o público ao lançar oficialmente seu enredo para o Carnaval 2026: “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, uma homenagem à atriz Léa Garcia, um dos nomes mais potentes e simbólicos da história do teatro e do cinema brasileiro. O anúncio foi feito em um evento repleto de emoção no Teatro Sérgio Cardoso, no centro de São Paulo, que ficou completamente lotado pela comunidade e simpatizantes da agremiação.

Enredo 2026 Mocidade Alegre
A proposta do enredo é uma verdadeira celebração à trajetória de Léa Lucas Garcia de Aguiar, atriz que conquistou reconhecimento internacional ao ser indicada ao prêmio de melhor interpretação feminina no Festival de Cannes em 1957, por sua atuação no clássico “Orfeu Negro”, filme vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A escola reverencia Léa como símbolo de resistência e pioneirismo negro nas artes, reforçando sua importância como figura histórica que rompeu barreiras impostas às mulheres negras no Brasil.
“Léa como nossa malunga, companheira de luta. Esse enredo é um tributo àquelas que ousaram existir além dos papéis que lhes foram dados. Lembramos o nome e o rosto de quem forjou a história do nosso país”, declarou a escola em suas redes sociais.
Espetáculo emocionante marca a apresentação
A noite de lançamento foi marcada por uma apresentação de impacto, protagonizada pelos principais segmentos da escola — o quadro de casais, miscigenação, musas e comissão de frente — que deram vida a uma prévia do enredo que estará na avenida em 2026. A performance arrancou aplausos e lágrimas do público presente, evidenciando o potencial sensível e político do tema escolhido.
O Teatro Sérgio Cardoso, tradicional espaço de valorização da arte paulistana, foi o palco ideal para essa revelação. Ali, passado e futuro se encontraram: a memória de Léa Garcia foi honrada por meio da dança, da música e da emoção coletiva, em um evento que ultrapassou os limites da apresentação carnavalesca e se transformou em um verdadeiro ato cultural de reconhecimento e reparação histórica.
A escolha do enredo reforça a tradição da escola em pautar questões sociais relevantes com profundidade estética e narrativa. Ao trazer Léa Garcia para a avenida, a Mocidade não apenas reverencia uma artista, mas amplia o debate sobre a presença e o legado das mulheres negras no imaginário cultural brasileiro.
À frente da construção estética e narrativa do enredo estão o carnavalesco Caio Araújo e o enredista Leonardo Antan, dupla responsável por dar forma poética e visual ao desfile da morada do samba.












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